17 de jun. de 2026Global

O Dividendo da Divulgação 2026

Demonstrando o valor comercial das ações ambientais

Baixe o relatório completo

Disclosure Dividend 2026 intro image 1

O segundo relatório anual “O Dividendo da Divulgação” chega em um momento de grande volatilidade nos mercados. Os choques na cadeia de suprimentos e o aumento dos atritos comerciais estão colocando empresas globais e países sob intensa pressão econômica.

A guerra no Irã, por exemplo, provocou flutuações extremas nos preços das commodities, desde o alumínio até os fertilizantes.

Enquanto isso, os riscos ambientais são catalizadores cada vez mais significativos de problemas econômicos. Eventos climáticos extremos, restrições de recursos e instabilidade dos ecossistemas já estão dificultando — e, em alguns casos, inviabilizando — a atuação das empresas.

Uma pesquisa recente do CDP revelou que, em 2025, quase 4.000 empresas relataram um total de US$ 3 bilhões em prejuízos financeiros decorrentes de eventos climáticos extremos. E, a longo prazo, as empresas prevêem que os fenômenos climáticos extremos causem impactos financeiros da ordem de centenas de bilhões. Essas questões não podem ser tratadas isoladamente, mas devem ser vistas como componentes essenciais para a saúde financeira de todas as empresas e da economia global.

Disclosure Dividend 2026 intro image 2
Os líderes empresariais estão buscando uma maneira de responder a esses desafios. O “Dividendo da Divulgação” deste ano destaca como empresas de diversos setores e de diferentes partes da economia global estão gerando valor comercial por meio de ações ambientais.

Esse valor pode ser encontrado nas milhares de iniciativas de redução de emissões (desde a eficiência energética até a redução de resíduos) que estão proporcionando retornos tangíveis sobre o investimento, muitas vezes em poucos anos.

As empresas também estão percebendo que há benefícios claros em agir agora diante dos riscos ambientais (por meio de uma combinação de perdas evitadas, economia de custos ou eficiências operacionais, entre outros) medidos por um retorno médio de US$ 8 para cada US$ 1 investido.

O processo de descoberta — tanto em termos de riscos quanto de oportunidades — está ajudando os líderes a desenvolverem resiliência e a obterem uma vantagem competitiva no cenário atual.

O que é o “dividendo de divulgação”?

O “dividendo da divulgação” é um termo usado para descrever o benefício que as organizações recebem ao divulgarem e agirem com base em dados ambientais revelados.

Investir na divulgação de informações ambientais permite que as empresas tomem melhores decisões sobre o mundo em que atuam — desde a criação de medidas de proteção contra fenômenos climáticos extremos até o aproveitamento de novas oportunidades na transição para uma economia de carbono zero.

Os benefícios que as empresas obtêm com a divulgação incluem maior acesso ao capital, maior confiança dos investidores, maior resiliência dos negócios e preparação para cumprir as regulamentações em um contexto de evolução constante das estruturas ambientais. O conhecimento, o insight e os dados padronizados ajudam a preparar as organizações para crescerem em um mundo dos negócios turbulento.

   

Metodologia

As conclusões deste relatório baseiam-se em dados extraídos de um subconjunto de mais de 11.260 empresas de grande e médio porte que divulgaram informações por meio do CDP em 2025. Essas empresas representam cerca de dois terços da capitalização de mercado global.

   

Principais conclusões

Os principais pontos a serem destacados neste relatório são:

  • Cada dólar gasto na resposta a riscos ambientais gera um retorno mediano de até US$ 8.

  • Cada dólar investido na redução de emissões gera, em média, US$ 2,4 em retorno e, em alguns casos, até US$ 7 ao longo de sua vida útil.

  • As empresas que divulgam por meio do CDP estão menos expostas aos custos do risco de transição do que as empresas do mesmo setor que não divulgam essas informações. Até 2050, isso equivale a US$ 1 trilhão em valor empresarial.

  • As perdas já estão sendo refletidas nos preços. As empresas prevêem uma alta probabilidade de US$ 1,24 trilhão em perdas acumuladas decorrentes de riscos ambientais até 2030.

   

Insights instantâneos

O relatório “Disclosure Dividend” do ano passado revelou que as empresas obtiveram um retorno de até US$ 21 para cada dólar investido em riscos climáticos físicos.

A mediana em todos os setores foi de US$ 8.

Este ano, a mediana é de US$ 10 e o retorno em dólares para as empresas do setor de serviços financeiros chega, em média, a US$ 64. Isso reflete os riscos maiores que as instituições financeiras enfrentam em todas as suas atividades comerciais. Ao contrário das empresas da economia real, que limitam sua avaliação de risco às próprias operações e à sua cadeia de valor, os serviços financeiros estão expostos em toda a extensão de suas carteiras de crédito e de investimentos. Além disso, os custos para mitigar esses riscos são relativamente baixos e têm um grande impacto.

Além dos riscos físicos, o relatório deste ano ampliou essa mesma métrica para avaliar o impacto de responder tanto aos riscos físicos quanto aos riscos de transição nas áreas de mudanças climáticas, florestas e segurança hídrica.

Essa abordagem mais ampla demonstra os benefícios de investir em medidas de mitigação para todos os riscos ambientais que as organizações enfrentam atualmente.

Analisando o todo e não só a parte

Nem todos os riscos são iguais e as empresas precisam avaliar sua própria exposição específica às ameaças ambientais. Esse trabalho já está em andamento. A análise do CDP mostra que a proporção de empresas que identificam riscos ambientais significativos[2] aumentou de 46% em 2018 para 80% em 2025.

O número de empresas que relatam riscos relacionados ao clima por meio do CDP também aumentou nos últimos sete anos. Em 2018 — um ano após a Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD) ter divulgado suas recomendações sobre relatórios corporativos —, 53% das empresas relataram riscos relacionados ao clima por meio do CDP. Em comparação, esse número subira para 79% em 2025.

Embora os riscos relacionados à transição climática ainda superem em número os riscos físicos, as empresas estão reconhecendo cada vez mais sua vulnerabilidade a esses riscos físicos. A proporção geral entre a transição e os riscos físicos relatados diminuiu de quase 2 em 2018 para 1,7 em 2025.

Ameaças potenciais (efeitos da incerteza) que se apresentam a uma organização e que decorrem de suas dependências e impactos — bem como dos da sociedade em geral — sobre o meio ambiente. Neste relatório, o termo “meio ambiente” refere-se às mudanças climáticas, às florestas e à segurança hídrica, bem como às respostas das empresas sobre esses três temas.

Trata-se de riscos ambientais diretos que afetam uma empresa, como incêndios florestais, inundações ou pragas que prejudicam a colheita. Elas podem ser agudas (provocadas por eventos) ou crônicas (mudanças graduais no estado da natureza).

Esses são os riscos enfrentados pelas empresas durante a transição para uma economia net zero e positiva para o planeta. Eles podem se manifestar como riscos relacionados a políticas, tecnologia, mercado, reputação ou responsabilidade civil.

O processo que as empresas adotam para identificar e avaliar riscos ambientais amadureceu nos últimos sete anos.

Em 2025, 88% das empresas relataram possuir um processo de avaliação de riscos ambientais[3] em vigor, em comparação aos 59% em 2018. Entre as empresas que possuíam um processo em 2025, 64% avaliaram tanto as operações diretas quanto a cadeia de valor em todos os horizontes temporais.

De acordo com os dados de 2018, a maioria dos riscos climáticos relatados (73%) está relacionada às operações diretas, 15% à cadeia de suprimentos e 12% à cadeia de valor a jusante. No entanto, o reconhecimento dos riscos da cadeia de valor é generalizado entre as empresas: apenas 16% não identificaram riscos fora das operações diretas.

Uma clara maioria das empresas não está apenas identificando riscos ambientais, mas também associando-os explicitamente ao seu desempenho financeiro. 71% das empresas de grande e médio porte divulgaram quais indicadores financeiros estão expostos aos impactos significativos desses riscos, demonstrando que as implicações não são abstratas, mas já são compreendidas em termos financeiros.

A receita surge como o indicador mais vulnerável, citado por 47% das empresas. Isso aponta para um caminho direto e imediato pelo qual os riscos ambientais podem afetar o desempenho empresarial — prejudicando as fontes de receita caso não sejam abordados.

A análise detalhada a seguir destaca como esses riscos (que abrangem catalizadores físicos e de transição) já estão incorporados nas perspectivas financeiras das empresas, afetando não apenas a resiliência futura, mas também a criação de valor atual[4].

A tragédia do horizonte

As organizações que divulgam informações por meio do CDP são questionadas sobre como definem os horizontes de curto, médio e longo prazo no contexto de suas dependências, impactos, riscos e oportunidades ambientais. Nesse sentido, recomenda-se que as empresas levem em consideração a vida útil de seus ativos ou infraestrutura, o perfil dos riscos ambientais que enfrentam e os setores e regiões geográficas em que atuam.

A análise dos horizontes temporais relatados indica que as empresas, no momento, estão olhando mais para o futuro ao realizar avaliações de riscos. Com base na cota superior dos intervalos do horizonte temporal de longo prazo, a mediana aumentou de 15 anos em 2018 para 25 anos em 2025, sugerindo que as empresas buscam aproveitar plenamente a exposição dos ativos e alinhar seus planos aos cenários estabelecidos de net zero para 2050.

Em 2025, mais da metade das empresas expostas a riscos apresentou uma estimativa de seus possíveis efeitos financeiros para pelo menos um horizonte temporal futuro. O número de empresas que relataram valores de risco de curto prazo foi quatro vezes maior do que o de risco de longo prazo. Isso significa que quantificar os riscos de longo prazo é mais desafiador e que os efeitos financeiros provavelmente serão amplamente subestimados.

Os dados apresentados sugerem que a inércia resultará em uma alta probabilidade de perdas acumuladas de US$ 1,24 trilhão decorrentes de riscos ambientais até 2030, valor que aumentará para US$ 1,77 até 2040. Estima-se que cerca de um terço das perdas até 2030 sejam decorrentes de riscos físicos, refletindo, em parte, o impacto crescente dos eventos climáticos extremos. Somente no ano em análise, as empresas relataram US$ 30,6 bilhões em riscos concretizados.

As empresas que divulgam informações ao CDP também estão menos expostas ao risco climático? – Um relatório de pesquisa climática do ICE.

ICE Logo PNG 200x200

   

As empresas que divulgam informações ao CDP apresentam um risco climático relacionado à transição em seu valor futuro cerca de um terço menor do que o observado em empresas semelhantes que não o fazem.

Há muito tempo a divulgação é consdiderada responável por uma série de benefícios, mas a maioria das evidências tem se concentrado no passado — nas emissões passadas, nas metas passadas e no comportamento passado. Nossa pergunta foi mais voltada para o futuro e mais prática: será que as empresas que divulgam por meio do CDP enfrentam menos riscos de prejuízos financeiros decorrentes da transição climática — devido à projeção de precificação do carbono, às restrições das regulamentações e à queda na demanda por produtos de alta emissão — do que outras empresas semelhantes?

Para descobrir isso, combinamos os dados de divulgação do CDP de 2025 com as estimativas do modelo Climate Value-at-Risk (CVaR) da ICE, que calcula qual parcela do valor futuro de uma empresa está exposta a esses mesmos custos de transição. O conjunto de dados abrange 7.818 empresas de capital aberto: 3.302 empresas que divulgaram por meio do CDP e 4.516 empresas comparáveis que não o fizeram.

   

O que descobrimos

Mesmo depois de levarmos em conta outros fatores que afetam os riscos financeiros projetados relacionados ao clima — incluindo o porte da empresa, o setor e a região —, as empresas que divulgam informações ao CDP ainda se destacam por uma margem significativa.[4] Até 2050, em um cenário global rumo ao net zero, o risco de transição projetado para essas empresas é cerca de 35% menor do que o de suas concorrentes – uma redução de aproximadamente 2 pontos percentuais no valor da empresa, em comparação com uma média das concorrentes de cerca de 5,6%. Isso faz com que a divulgação seja o maior fator explicativo isolado em nosso modelo, superando o porte da empresa em cerca de oito vezes. Em termos absolutos, também se prevê que a vantagem aumente com o tempo: cerca de 0,7 pontos até 2030, 1,7 até 2040 e 2,0 até 2050 — exatamente o período em que políticas climáticas mais rigorosas poderão entrar em vigor.

Dois pontos percentuais podem parecer pouco, mas, em termos absolutos de dólares, o impacto é significativo. Com um valor empresarial total de US$ 85 trilhões entre as 3.302 empresas analisadas que divulgam informações, uma diferença de 2% significa mais de US$ 1 trilhão a menos em valor em risco no conjunto das empresas que divulgam, em comparação com empresas semelhantes que não divulgam.

   

As empresas que divulgam por meio do CDP apresentam menor risco de transição em todos os horizontes

Será que se trata mesmo de divulgação?

A preocupação natural é que as empresas que divulgam por meio do CDP sejam, antes de mais nada, simplesmente diferentes — com menor intensidade de emissões e maior resiliência climática — e que estejamos identificando essas diferenças, e não a divulgação em si. Testamos isso de três maneiras diferentes. Primeiro, comparamos individualmente cada empresa que divulga pelo CDP com uma empresa que não divulga pelo CDP que fosse do mesmo porte, setor, região e intensidade de emissões; a diferença diminuiu em menos de um por cento. Também removemos os valores atípicos extremos dos dados; a diferença permaneceu inalterada. Por fim, ampliamos o universo para incluir empresas cujas emissões são estimadas, em vez de divulgadas; a diferença diminuiu apenas ligeiramente, para cerca de 1,8 pontos percentuais.

   

Por que isso importa

A divulgação é frequentemente defendida como uma boa prática. Essas evidências sugerem que isso também pode indicar algo relevante: as empresas que divulgam essas informações apresentam, comprovadamente, menor risco de transição.

Uma ressalva importante é que se trata de uma correlação. O menor risco entre as empresas que divulgam informações pode refletir qualidades subjacentes — melhor governança, gestão mais sólida, ambição climática mais confiável — que levam as empresas tanto a divulgar informações quanto a reduzir sua exposição. No entanto, a conclusão prática permanece válida: as empresas que prestam contas ao CDP estão mais bem preparadas para a transição climática.

Para obter mais informações, entre em contato por meio do climaterisk@ice.com.

   

[5] Nota metodológica: Restringimos o universo às empresas com emissões de Escopo 1 + 2 divulgadas diretamente e confiáveis (categorias de qualidade de divulgação 1 a 3), excluindo as empresas cujos dados foram estimados pelo ICE, o que resulta em 7.818 empresas: 3.302 empresas que divulgam pelo CDP e 4.516 empresas comparáveis que não divulgam pelo CDP. O efeito de divulgação é estimado por cenário por meio de uma regressão de mínimos quadrados ordinários (MQO) controlada por covariáveis do CTVaR em relação a um indicador do CDP, ao logaritmo do valor empresarial e aos efeitos fixos do setor e da região, isolando o coeficiente do CDP ao manter constantes o tamanho da participação, o setor e a região.

Para descartar o viés de seleção, confirmamos o resultado por meio do emparelhamento por escore de propensão, o que produz uma amostra emparelhada altamente comparável na qual o efeito da divulgação persiste. Como as empresas que divulgam por meio do CDP são sistematicamente maiores e concentradas em setores sujeitos a maior pressão, uma diferença controlada por regressão ainda poderia refletir quem divulga as informações, e não a divulgação em si. Modelamos a propensão à divulgação como um logit P(CDP) ~ log(EV) + log(intensidade de emissões) + setor + região; em seguida, realizamos o emparelhamento 1 a 1 com base no escore de propensão (vizinho mais próximo, sem reposição), emparelhando todas as 3.302 empresas que divulgam pelo CDP com empresas semelhantes que não divulgam pelo CDP (6.604 empresas). O equilíbrio melhora significativamente: a diferença média padronizada composta cai de 0,50 para 0,13, e o desequilíbrio logarítmico do tamanho -EV, de 0,18 para 0,08 — tornando os grupos praticamente comparáveis em termos de tamanho, setor, região e intensidade.

Os benefícios financeiros da redução de emissões

Mais de 8.000 empresas de grande e médio porte relataram iniciativas ativas de redução de emissões por meio do CDP durante o ano de referência.

Entre as divulgações, o consumo de energia de baixo carbono, a eficiência energética em edifícios e a eficiência energética nos processos de produção surgiram como as três categorias de iniciativas mais frequentemente relatadas.

O gráfico abaixo apresenta a mediana da redução anual de carbono em todos os escopos de emissões. Em média, cada iniciativa economiza 275 toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano.

Estudo de caso: A Diageo reconhece o valor da eficiência na cadeia de suprimentos

A empresa internacional de bebidas Diageo é uma empresa que há muitos anos divulga por meio do CDP e estabeleceu compromissos sólidos em matéria de sustentabilidade.

A empresa tem a meta de atingir o net zero em suas operações diretas (Escopo 1 e 2) até 2040, além de uma meta separada de reduzir suas emissões de Escopo 3 em 26% até 2030.

Um dos principais focos da empresa na gestão das emissões de sua cadeia de valor são as matérias-primas, as embalagens e a energia adquirida por seus fornecedores.

A Diageo implementou recentemente, ou começou a implementar, mais de 60 iniciativas de redução de emissões que permitirão economizar cerca de 90.000 toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano.

Essas iniciativas incluem:

  • Reduzir o peso do vidro em seu portfólio principal de garrafas de uísque e cerveja, economizando aproximadamente 3.400 toneladas de vidro e reduzindo as emissões;

  • Retirar as embalagens dos produtos, incluindo 9 milhões de caixas de papelão, reduzindo o peso das embalagens em 591 toneladas; e

  • Aumentar o investimento em usinas de bioenergia e sua utilização para reduzir a dependência do gás natural.

A Diageo também estabeleceu condições ambientais claras com seus fornecedores, exigindo que eles acompanhem e compartilhem dados sobre emissões, cumpram sua política de desmatamento e trabalhem para atingir o uso de 100% de energia elétrica renovável. O desempenho dos fornecedores é monitorado por meio de um quadro de indicadores trimestral.

Retorno sobre o investimento

Muitas iniciativas de redução de emissões geram economias financeiras substanciais.

A economia monetária total variou entre US$ 27,6 bilhões e US$ 40,7 bilhões.

Uma amostra inicial de 6.791 organizações forneceu informações sobre as reduçõesanuais de emissões associadas à economia monetária anual. Esse grupo registrou uma economia anual de aproximadamente US$ 40,7 bilhões.

Com o uso de filtros de qualidade de dados mais precisos e conservadores, a amostra foi reduzida ainda mais para 6.569 organizações e 21.241 iniciativas. Isso resultou em uma economia monetária total de aproximadamente US$ 27,6 bilhões.

Análise mais aprofundada de um subconjunto de 12.387 iniciativas de mais de 4.400 empresas[6] mostra que a maioria (69%) das iniciativas de redução de emissões é lucrativa (gerando economia líquida positiva ao longo da vida útil), com 41% apresentando um período de retorno inferior a 3 anos.

Com base nesse mesmo subconjunto, uma iniciativa típica de redução de emissões gera um retorno sobre o investimento (ROI) não descontado ao longo da vida útil de aproximadamente 142%, com um tempo médio de retorno de três anos. Em outras palavras, cada dólar investido em uma iniciativa de redução de emissões gera, em média, US$ 2,4 em retorno e, em alguns casos, até US$ 7 ao longo de sua vida útil.

Embora não sejam tão comuns entre as empresas que divulgam dados, a redução de resíduos e a circularidade de materiais constituem uma das iniciativas mais atraentes do ponto de vista financeiro, gerando US$ 3,9 por cada dólar investido, com um tempo médio de retorno de apenas 1,3 anos. Entre os tipos de projetos mais citados estão a redução de resíduos, a reciclagem ou a reutilização[7].

A eficiência energética nos processos de produção ocupa o segundo lugar, gerando US$ 3,6 para cada dólar investido, com um tempo médio de retorno de 2,1 anos. Essa constatação está em consonância com uma pesquisa da IEA que constatou que a eficiência energética proporciona uma economia de vários bilhões de dólares, com um tempo médio de retorno inferior a 2 anos. Os tipos de projetos mais citados são a substituição de máquinas (ou equipamentos), a otimização de processos, o ar comprimido e a recuperação de calor residual.

Exemplos de empresas*

   

Como reduzir o desperdício de aço

Acerinox, Espanha

Uma das principais fontes de emissões da Acerinox é o uso de matérias-primas e ferroligas no processo de produção de aço.

Suas fábricas implementaram diversas iniciativas para aumentar a porcentagem de sucata utilizada no processo de produção, especialmente na aciaria e no processo de laminação a quente.

Existem projetos em andamento voltados para melhorar a separação de sucata, reduzir custos e explorar novos formatos de sucata e retroescavadeiras. Além disso, estão sendo envidados esforços para adaptar ou adquirir máquinas com o objetivo de aumentar a capacidade de recuperação de metal.

   

Melhoria da eficiência energética e geração de energia com baixas emissões de carbono

Baosteel, China

Um total de 39 projetos de economia de energia foram implementados nas instalações da empresa em Bashon, com foco principalmente na recuperação de calor residual. Uma nova caldeira de recuperação de calor residual com grande conduto de fumaça e instalações auxiliares foram instaladas na planta de sinterização para recuperar e utilizar os recursos de calor residual de temperatura média. Isso resultou em uma economia de energia equivalente a 49.100 toneladas de carvão por ano.

   

ReNew Energy Global, Índia

Os geradores a diesel nos locais dos projetos foram substituídos por sistemas de energia solar para reduzir o consumo de combustível e as emissões, além de gerar economia de custos. Estima-se que tenham sido evitadas 1.548 toneladas de dióxido de carbono equivalente e 532 quilolitros de diesel.

   

*Observação: os exemplos de empresas foram extraídos diretamente das divulgações públicas do CDP de 2025, com pequenas alterações para maior clareza.

Estudo de caso: A Telefónica aposta na energia renovável para reduzir os custos com energia

Telefonica logo 200x200

A Telefónica é uma empresa internacional de telecomunicações que divulga suas informações por meio do CDP desde 2003.

Ao longo de seu processo de divulgação, a Telefónica identificou a energia tanto como um risco quanto como uma oportunidade para seus negócios. O risco: um aumento nos custos operacionais devido à alta nos preços da eletricidade e do carbono. A oportunidade: redução dos custos de energia da rede e maior competitividade por meio do foco na eletricidade renovável.

O Plano de Energia Renovável da Telefónica faz parte de seu Plano de Ação Climática mais amplo e de seu roteiro de descarbonização, apoiando tanto os objetivos de mitigação quanto os de adaptação às mudanças climáticas em todas as suas operações.

A empresa elaborou um Plano de Energia Renovável que se aplica a todas as suas operações e tem como foco:

  • Autogeração. Investimento em sistemas de energia solar, eólica e de bioetanol para reduzir sua dependência da rede de distribuição de eletricidade.

  • Compra de certificados de eletricidade renovável com garantia de origem. Esses certificados garantem a rastreabilidade da eletricidade renovável desde o ponto de geração até o ponto de consumo e, atualmente, garantem uma cobertura de 100% de eletricidade renovável em países como Espanha, Alemanha e Brasil.

  • Contratos de compra de energia de longo prazo. Um preço fixo ou previsível para a eletricidade de fontes renováveis, a fim de reduzir a exposição à volatilidade do mercado.

O plano já resultou em uma economia considerável de custos e em uma redução nas emissões. Em 2025, as emissões do Escopo 2 estavam 98% abaixo do nível do ano-base (2015). O consumo de eletricidade de fontes renováveis atingiu 93% do consumo total de eletricidade nas instalações próprias da Telefónica em 2025. A empresa tem como meta atingir 100% de consumo de energia elétrica renovável até 2030 em suas principais operações.

O foco nas energias renováveis faz parte do modelo de adaptação da empresa, concebido para aumentar a resiliência de seus negócios e amenizar os efeitos econômicos de eventos climáticos extremos.

Ao aumentar a autogeração de energia renovável fotovoltaica, a Telefónica também está reduzindo a dependência de fontes de eletricidade mais expostas a riscos climáticos físicos, como secas prolongadas que afetam a geração hidrelétrica.

A integração da aquisição de energia elétrica renovável, da autogeração e do planejamento de resiliência fortalece a continuidade operacional da Telefónica, ao mesmo tempo em que apoia a competitividade de longo prazo em uma economia de baixo carbono.

Foco no mercado

Estudo de caso: A ANTA Sports está conquistando a confiança dos investidores por meio da transparência na cadeia de suprimentos

A ANTA Sports, principal empresa chinesa no setor de roupas esportivas, está promovendo a redução de emissões e fortalecendo a resiliência dos negócios a longo prazo.

A empresa possui um sistema de dados ambientais robusto e verificável e está transformando a divulgação dessas informações em resultados mensuráveis. Em 2024, a empresa reduziu suas emissões de Escopo 1 em 11,1% e a intensidade das emissões diminuiu 21,7%.

A ANTA Sports envolve sua ampla rede em questões climáticas, exigindo que os fornecedores divulguem dados sobre emissões por meio do CDP, promovendo práticas de baixo carbono e vinculando o desempenho em sustentabilidade aos processos de gestão.

Até maio de 2026, esse valor gerou os seguintes resultados:

  • Mais de 1.000 fornecedores participaram de iniciativas de descarbonização.

  • 130 fornecedores instalaram sistemas de energia renovável, como painéis solares fotovoltaicos.

  • 270 fornecedores adotaram energia elétrica renovável ou obtiveram a certificação verde correspondente.

Além disso, a empresa adotou uma certificação independente realizada por terceiros, tornando-se a primeira empresa do setor de roupas esportivas da China a obter a verificação das emissões dos Escopos 1, 2 e 3.

Os benefícios comerciais dessa abordagem têm sido:

  • Fortaleceu a confiança dos investidores por meio de divulgações transparentes e de alta qualidade.

  • Melhoria na gestão de riscos por meio da identificação de riscos físicos e de transição.

  • Descarbonização a cadeia de valor acelerada por meio do envolvimento dos fornecedores.

  • Maior reconhecimento no mercado, incluindo a inclusão nos principais índices ESG, como o Índice Hang Seng ESG50 e o Índice Dow Jones Best-in-Class Emerging Markets.

A experiência da ANTA Sports oferece um caminho replicável para empresas que buscam gerar valor por meio da divulgação de dados ambientais.

Enfrentando o desafio

Este relatório oferece uma visão sobre como as empresas estão levando a sério os riscos e as oportunidades decorrentes das atuais condições ambientais.

O valor comercial decorrente da divulgação e das ações ambientais é, naturalmente, variado. Algumas empresas expostas à escassez de água podem usar essas informações para estabelecer um preço interno da água; outras, com altos custos de energia, podem decidir investir em novas iniciativas de eficiência.

Mas, de modo geral, observamos que as empresas desenvolveram uma compreensão mais sofisticada de suas dependências, riscos, impactos e oportunidades ambientais —o que é fruto da experiência. A introdução de novos parâmetros de divulgação ambiental, como as recomendações do TCFD de 2017, levou a uma maior adoção e compreensão desses riscos.

A transparência desempenha um papel fundamental nessa jornada. Pesquisas relacionadas realizadas pelo ICE corroboram essa tese – constatou-se que as empresas que divulgam informações ambientais estão em uma posição significativamente melhor para enfrentar os riscos da transição climática, tanto atualmente quanto até 2050.

As principais empresas estão descobrindo que a saúde do planeta e a tomada de decisões econômicas andam de mãos dadas, e que os dados ambientais são um recurso fundamental para viabilizar essas decisões. As empresas apresentadas neste relatório reconhecem que a liderança ambiental é tanto uma estratégia econômica quanto ambiental, e que as empresas que investem em uma economia que contribui positivamente para o planeta estão mais bem posicionadas para crescer, competir e prosperar.

Notas de rodapé

1. Essa relação custo-benefício baseia-se em estimativas fornecidas pelas próprias empresas sobre o impacto financeiro potencial dos riscos ambientais (riscos físicos e de transição). Os números variam bastante entre as empresas do mesmo setor. Os benefícios incluem uma série de economias, perdas evitadas e maior eficiência operacional, entre outros.

A relação custo-benefício da mitigação de riscos é calculada dividindo-se o impacto financeiro potencial total em todos os horizontes temporais pelos custos necessários para responder aos riscos. O índice indica o benefício potencial estimado associado à implementação de uma resposta ao risco em relação ao seu custo. Os benefícios podem incluir perdas evitadas, economia de custos, eficiências operacionais ou outros impactos quantificáveis, quando identificados. O cálculo pressupõe que a medida de mitigação proposta seja totalmente eficaz, não leva em conta o risco residual nem a incerteza nas estimativas de impacto e pode não refletir a probabilidade ou o momento em que o risco ocorrerá.

2. Um risco relacionado a pelo menos uma questão ambiental.

3. Um processo de avaliação de riscos que abranja pelo menos uma questão ambiental.

4. Com base nas divulgações que atendem aos filtros de qualidade dos dados.

5. Este material contém informações que são de propriedade da Intercontinental Exchange, Inc. e/ou de suas afiliadas (”ICE Group”) e não deve ser publicado, reproduzido, copiado, modificado, divulgado ou utilizado sem o consentimento expresso por escrito do ICE Group.

Este material é fornecido apenas para fins informativos. As informações aqui contidas estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. Nada do aqui contido deve, de forma alguma, ser interpretado como uma alteração dos direitos e obrigações legais previstos nos contratos celebrados entre o ICE Group e seus respectivos clientes, relativos a qualquer um dos produtos ou serviços aqui descritos. Algumas das informações aqui descritas ainda estão em fase de desenvolvimento e, por isso, a critério exclusivo do ICE Group, os serviços e/ou metodologias que venham a ser desenvolvidos podem diferir da descrição aqui incluída ou podem nem mesmo vir a ser desenvolvidos. Nada do que aqui consta tem como objetivo constituir aconselhamento jurídico, tributário, contábil, de investimentos ou qualquer outro tipo de aconselhamento profissional.

O ICE Group não oferece qualquer garantia, seja ela expressa ou implícita, quanto à comercialização, adequação a uma finalidade específica ou qualquer outro aspecto. Sem limitar o disposto acima, o ICE Group não oferece qualquer garantia ou declaração de que quaisquer dados ou informações fornecidos a ele ou por ele sejam completos ou isentos de erros, omissões ou defeitos, e nada do aqui contido deve constituir qualquer forma de garantia, declaração ou compromisso.

6. Elaborado com base nas empresas que forneceram os dados financeiros necessários para avaliar a rentabilidade.

7. Entre os exemplos de redução de resíduos estão o aumento da proporção de embalagens recicláveis e a implementação de estratégias sistemáticas de redução de resíduos em todas as operações.

Entre os exemplos de reciclagem estão a transformação de resíduos operacionais da agricultura em fertilizantes e o aumento da utilização de sucata na produção de aço.

Exemplos de reutilização incluem a substituição de caixas descartáveis por caixas de remessa reutilizáveis e o uso de resíduos de construção para aterro.

© 2026 CDP Worldwide

Instituição de caridade registrada nº 1122330

Número de registro de VAT: 923257921

Uma empresa limitada por garantia registrada na Inglaterra nº 05013650

O CDP tem o certificado Cyber Essentials - visualizar o certificado